Indígenas

O rio Purus, além de ser um dos mais importantes da Bacia Amazônica, é o local onde há uma forte presença indígena. A região do seu médio curso, especialmente, concentra os povos Deni, Kamadeni,
Apurinã, Paumari,Jamamadi, Jarawara, Juma, Kanamati, Banawá, Mamori, Katukina, Kocama, Karipuna, Miranha, Suruwahá, Katauixi e Hi-Merimã. Citaremos um pouco sobre as etnias aqui representada tomando texto cedido pela FOCIMP.

APURINÃ
Segundo os Apurinãs, na voz dos autores Valdomiro, Norá, Arnaldo, Erivaldo e Alex Sena“Os ancestrais do povo  apurinã vieram da pedra. Os velhos contavam que não foi só o povo Apurinã, mas outros povos também. A primeira pessoa que saiu da pedra era uma pajé que guiava os Apurinã. Foi na lua nova, teve um estrondo e a pedra se partiu, por um lado saiu os Apurinã e por outro, os demais povos. Hoje ainda existe essa pedra, ainda tem rastro do caminho por onde saíram. Assim passamos a viver os costumes, tinha o pajé que fazia cura, falava com os espíritos, entre outras coisas. Esse pajé que saiu da pedra já trazia a cultura Apurinã. Naquele tempo a cultura era respeitada. O povo era unido e a liderança era escutada. 

PAUMARI
“Nós relatores do povo Paumari, Joel Morais da Silva, Antonia R. de Lima, José Morais Paumari,Francisca Paumari e Analberto Alvis Colegio Paumari, sabemos que, no passado, antes da entrada do não indígena, vivíamos na beira de lagos e nas praias dos rios.  As moradias eram pequenos flutuantes, canoas cobertas com um toldo de palha, que era móvel e podia ser tirado, era uma espécie  de casa suporte. O povo tinha o costume de pescar muito, e só para se alimentar, não tinha troca com branco. Nossas pescarias eram  para ter bastante comida para as festa, pois essas duravam de quatro a seis dias. As festas eram uma comemoração da saída para a fase adulta das moças, depois da primeira mestruação. Como o povo Paumari habitava todo médio Purus, nos rios Tapauá, Ituxi e Sepatini, tinha  que convidar todos os parentes, não importava a distancia. Onde tivesse a festa, tinha alguém que passava o convite adiante, remando rio abaixo ou acima. Assim todos se reuniam para a festa."

JAMAMADI
Badá Jamamadi contou que, antes de ter machado e terçado, fazer uma roça era muito difícil: “O pessoal subia - umas de 15 pessoas – nas árvores e quebrava os galhos para cair no chão, tinha que tirar a casca, esperar secar bem aqueles paus caídos, uns cinco meses,  e só depois de bem seco é que tocava fogo. Depois de todo esse tempo podia colocar o roçado. Na roça planta banana, abacaxi, maniva de mandioca, batata, cará e cana. Agora não é tão difícil como antes, quando não tinha ferro. Quando não tinha ferro, machado, terçado, era usado dente  de anta para fazer flecha, na etnia Jamamadi. Para fechar tinha que fazer a ponta de dente de anta, assim trabalha o velho Jamamadi. Badá Jamamadi contou que “dizem que os velhos sabem tudo, os velhos estão morrendo e ninguém sabe tudo não. E conta que nas festas dos Jamamadi tinha  mesmo curral para menina que ficava lá. Enquanto isso tinha gente que ia caçar, pescar para poder comer no dia que ela saía. Nesse dia tem conto, o pessoal termina de cantar e vai para o porto, mas antes o pajé curador, de noite, vai e conversa com a menina.”

JARAWARA
"Quando eu era pequena, a gente não sabia de nada, antes da demarcação, o branco falou para nossa liderança, pediu para entrar e tirar madeira, eles tiraram muito. Agora quando a demarcação chegou à nossa terra ai não entra tanto para tirar madeira. Só assim no rio mesmo, no rio Cainã que é invadido, o pescador entra e tira bicho de casco, peixe grande chamado pirarucu. Não é para ele comer, mas para vender. No lago Buritirana que fica dentro da nossa terra é que eles tentam entrar e pescar pirarucu. É difícil vigiar a nossa terra porque a gente não fica perto dos  limites, mas longe. Lá na nossa terra agente vive melhor. Fora da terra a situação não é muito boa não. Na cidade a gente precisa comprar várias coisas. Lá na aldeia a gente não precisa comprar nada. A gente tem boa alimentação, tem tudo lá. Tem bastantes animais, porquinhos, têm peixe, bichos de cascos. Esse trabalho é legal para a gente proteger mais nossa terra, nossos lagos,nossos rios, pois essa nossa terra é muito importante para nós.”  Jacinto Jarawara


CONTEUDO INDÍGENA

VIDEOS INDIGENAS NO MÉDIO PURUS

Ritual de passagem indígena


Semana dos povos indigenas em Lábrea 2012


Semana dos povos indigenas em Lábrea 2012


Semana dos povos indigenas em Lábrea 2012

Movimento indígena no Médio Purus


IMAGENS INDIGENAS EXTRAÍDAS NO MÉDIO PURUS











Fotos e textos gentilmente cedidas pela Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (FOCIMP)